Estudos dos processos de aquisição e aprendizagem de línguas

Estudo dos modelos linguísticos e sua aplicação à aquisição de línguas maternas e estrangeiras; estudo dos processos de aquisição e aprendizagem de línguas e dos distúrbios e patologias associados a esse processo.

Projetos

Aquisição de Dependências Sintáticas em Português Brasileiro - fase II

Profª. Elaine Bicudo Grolla (Responsável);
Camilla de Rezende (Doutoranda);
Iolanda Dias Goes (Mestranda);
Jonathan Silva Torres (Doutorando);
Kalyne Alves de Melo Silva (Mestranda);
Raíssa Silva Santana (Mestranda);
Renato Caruso Vieira (Doutorando);
Viviane Aparecida Maia de Oliveira (Graduanda).

Descrição: Esse projeto tem por objetivo investigar a aquisição de diversas construções sintáticas em português brasileiro que envolvem dependências A'. Construções como perguntas-QU com QU movido ou com QU in-situ, orações relativas com e sem pronomes resumptivos e a construção absoluta são investigadas, utlizando-se o arcabouço teórico da Teoria Gerativa (Chomsky 1981). O comportamento de crianças adquirindo português brasileiro como língua materna entre 3 e 6 anos de idade é observado por meio de diferentes técnicas experimentais, como a tarefa de produção eliciada, a tarefa de julgamento de gramaticalidade e a tarefa de julgamento de valor de verdade.

Aquisição de Regras Fonológicas Segmentais em Português Brasileiro: Processos Vocálicos

Profª. Raquel Santana Santos (Responsável);
Andressa Toni (Doutoranda);
Graziela Pigatto Bohn (Participante externo);
Mariana de Freitas Martins (Graduanda).

Descrição: Dentre os poucos estudos sobre aquisição de processos fonológicos, há duas interpretações correntes. Segundo uma dessas interpretações, muitos dos processos fonológicos são resultado de sobreposição de gestos fonéticos e a criança, então, está desde o início capacitada a produzi-los como o adulto (cf. Stemberger 1989, Berhnardt & Stemberger 1998 e Newton & Wells 1999, 2002). Numa outra perspectiva, os processos são tidos como resultado de um processo de aquisição de regras (cf. Macken 1987, Santos, 2007). Até onde sabemos, as pesquisas sobre aquisição de processos fonológicos que ocorrem na fala adulta em português brasileiro inserem-se dentro desta segunda perspectiva. Silva & Santos (2010), por exemplo, mostram que o processo de assimilação de vozeamento em português brasileiro não ocorre como na fala adulta e que os ?erros? cometidos pelas crianças apontam para um período em que a regra de assimilação ainda não está ativa. Komatsu & Santos (2007) e Santos (2007) analisam a aquisição da ditongação, elisão e degeminação, todos entre palavras e seus resultados também vão na direção de que estes processos são resultados de regras que vão sendo adquiridas aos poucos. Finalmente, Abaurre, Galves & Scarpa (1997) mostram que no início do processo de aquisição de sândi externo a criança só obedece há uma propriedade bloqueadora da regra. Para além da questão de saber se os processos fonológicos são automáticos/fonéticos ou resultado de regras, uma outra questão que se coloca é a representação lexical/fonológica das palavras (especificamente, daquelas sujeitas aos processos fonológicos). Se assumimos (de acordo com a fonologia gerativa tradicional) que eles modificam uma estrutura subjacente, o output infantil é então opaco para a criança, que tem que ?descobrir? qual a forma subjacente lexical (no nosso caso específico, a representação fonológica das palavras). Há duas concepções sobre como é a representação lexical infantil: a primeira delas é de que esta representação é detalhada e aproxima-se da forma do output (e.g. Jusczyk & Aslin 1995, Swingley & Aslin 2000), enquanto que a segunda é de que a representação da criança é subespecificada (se comparada com a estrutura subjacente adulta) e vai se tornando cada vez mais especificada (de forma a atingir a estrutura subjacente adulta, não a forma do output) (Fikkert 2010, Fikkert & Levelt 2008). Assim, ao se discutir a aquisição de processos fonológicos, toca-se em duas questões: distinguir processos que resultam de sobreposição de gestos articulatórios daqueles que são resultado de regras (e como estas regras são adquiridas) e a representação fonológica das palavras pelas crianças. Especificamente, o recorte deste trabalho discute a aquisição de processos fonológicos que afetam as vogais em português brasileiro investigando se há mudanças durante ou processo ou se estas regras são adquiridas como na fala adulta desde o início da produção de duas palavras. Procuramos descobrir (i) como a criança produz sequências em que mais de um processo fonológico ocorre, e que classicamente são interpretados como casos de ordenação de regras fonológicas; (ii) como a criança produz sequências em que um primeiro processo gera contexto segmental para a aplicação de um segundo processo, mas que por outras razões, ele é bloqueado na língua alvo, e (iii) o que estas produções revelam sobre a representação fonológica inicial.
Aquisição Fonológica em segunda língua

Profª. Raquel Santana Santos (Responsável).

Descrição: Neste projeto, analisamos como a língua materna afeta a aquisição fonológica de línguas estrangeiras. A hipótese de que o ser humano nasce com uma capacidade inata (gramática universal - GU) para em condições normais aprender qualquer língua natural (Chomsky 1965), em sua versão de Princípios e Parâmetros (Chomsky 1981) é aceita por muitos para explicar a aquisição fonológica de primeira língua (L1). O acesso à gramática universal na aquisição de segunda língua (L2), por outro lado, é bem mais controverso. Há hoje 3 principais propostas: a aquisição em L2 pode ocorrer com acesso direto à GU, sem transferência da L1 (Epstein et al 1996); com acesso a GU, mas através da L1 (Schwartz e Sprouse 1996) ou sem acesso nenhum à GU (Clashen e Muysken 1996). Há ainda um grande debate sobre a possibilidade de um parâmetro de L1 ser modificado para L2 (While 2003, Meisel 2011). Neste projeto, discutimos a pertinência destes 3 propostas, comparando a aquisição de regras (i) iguais em L1 e L2; (ii) parecidas nas duas línguas; (iii) que só existem em L2.
Dependências A-Barra e Controle Executivo na Aquisição de Linguagem

Financiamento: CNPQ.


Profª. Elaine Bicudo Grolla (Responsável);
Camilla de Rezende (Doutoranda);
Letícia Vital Ferreira (Graduanda).

Descrição: Crianças em idade pré-escolar apresentam um comportamento peculiar no que diz respeito à produção de estruturas com dependências A-barra, como as perguntas-QU de longa distância e as orações relativas. Em estudos de produção eliciada, estruturas com um elemento reduplicado são produzidas. No caso das perguntas, o elemento duplicado é a palavra-QU, que aparece no specCP matriz e no specCP encaixado. No caso das relativas, é o DP relativizado que é repetido como DP resumptivo em posição temática dentro da relativa. Tais estruturas são impossíveis nas línguas adultas sendo adquiridas. A presente pesquisa se propõe a investigar a produção de tais estruturas em crianças monolíngues adquirindo o português brasileiro como língua materna. É levantada a hipótese de que tais produções refletem dificuldades nos processos de produção de fala. Elas são comparadas a lapsos da língua, em que itens com alto nível de ativação na estrutura são pronunciados em locais errados (e.g., ?fé em Deus e fé na tábua? para ?fé em Deus e pé na tábua?). A previsão é que crianças com menor capacidade de controle executivo produzirão estas estruturas mais frequentemente que crianças com maior capacidade de controle executivo. Para testar nossa hipótese, propomos uma bateria de testes, a fim de comparar o comportamento das crianças que produzirem essas estruturas não adultas e daquelas que não produzirem em dois testes de controle de inibição, a fim de detectar uma correlação entre os dois grupos. Esta pesquisa segue uma tendência atual nos estudos em aquisição de linguagem, que entende que comportamentos não adultos por parte das crianças podem ser devidos não apenas ao desenvolvimento da gramática sendo adquirida, mas também a outros fatores extralinguísticos, como o desenvolvimento das funções executivas ou da memória.
Documentação, preservação e ensino de línguas nativas e do português

Profª. Ana Lúcia de Paula Müller (Responsável);
Juliana Vignado Nascimento (Mestranda);
Lucas Blaud Ciola (Mestrando);
Luiz Fernando Ferreira (Doutorando);
Marcela Martins de Freitas (Mestranda);
Rosana Aparecida Ortiz (Graduanda);
Thiago Chaves Alexandre (Doutorando).

Descrição: Cerca de 150 línguas indígenas sobrevivem no Brasil atualmente. Essas línguas são minoritárias e encontram-se ameaçadas em razão de fatores como a destruição do habitat natural, as demandas de uma sociedade de mercado e o total domínio da língua portuguesa nas mídias e na escolarização. A extinção ou a assimilação de etnias e de línguas minoritárias à cultura e à língua dominantes trazem como consequência grandes perdas culturais, científicas e, em particular, linguísticas. Tomando essas preocupações como ponto de partida, este projeto enfoca a documentação, a descrição, preservação e o ensino de nossas línguas nativas. Em particular o projeto dedica-se à criação de um acervo de dados linguísticos que leve, ao mesmo tempo à análise de aspectos gramaticais de cada uma das línguas estudadas; e à elaboração de material de apoio às escolas indígenas correspondentes. Atualmente, o projeto se debruça sobre a língua Karitiana (família Arikém, tronco Tupi). Pretende-se, no entanto, incorporar outras línguas. Por outro lado, o material disponível para o ensino do português tanto para as etnias indígenas como para os falantes do português como sua primeira língua em geral não levam em conta o dialeto falado pelo aluno. Assim, também faz parte deste projeto a elaboração de material didático sobre o português tanto para falantes de nossas línguas nativas como para falantes de dialetos do português brasileiro.